...PARA ALÉM DAS GRADES...

 

 

 

 

 

As «grades» e a «clausura» materiais não são mais que sinais da nossa pertença exclusiva a Deus. Elas também querem indicar que vivemos no DESERTO, num espaço reservado ao silencio e à «solidão» na busca incessante do Seu maravilhoso Rosto,  tal como sucedeu aos nossos primeiros irmãos eremitas que viveram no Monte Carmelo na Palestina e que nos legaram em herança o seu estilo de vida solitário. Este DESERTO é suavizado por 2 encontros espontâneos entre todas as irmãs que são imprescindíveis no Carmelo.

SÍNTESE DA NOSSA VIDA

Consulta:     Orar: História de amizade

Os primeiros eremitas do Monte Carmelo na Palestina tiveram uma excelente experiência de  deserto e silêncio, como procura incessante de DEUS. Esta vida solitária amadureceu levando-os a pedir ao Patriarca de Jerusalém (Stº Alberto de Jerusalém)  que lhes desse uma Regra de vida, respeitando quanto possível a vida eremítica (de deserto) e a oração contínua (desejo contínuo de Deus) que vinham experimentando havia anos. 

Santa Teresa de Jesus (Ávila) - nossa fundadora - deu-nos essa mesma Regra de vida,  recuperando  para nós o silencio em todo o seu rigor primitivo assim como a restauração integral do deserto. O que interessa fomentar neste ambiente é  o silêncio e o contínuo DESEJO de Deus, a que os Padres do deserto denominam oração contínua, para pormos em movimento toda aquela doutrina de S. João da Cruz de que o Carmelo está imbuído

O DESERTO CARMELITANO

  • Professado sob a obediência  pois a experiência anacorética pura foi mostrando quantos erros se pode cometer quando o «eremita» não está "sujeito" à obediência. A obediência - elemento introduzido na vida dos eremitas do Carmelo – aponta para uma vida organizada em comum, querendo dizer que ela une todos os eremitas, oferecendo-lhes um ideal comum e o emprego de meios idênticos para atingirem o mesmo fim. 

Aquela que penetra neste «deserto» recebe a aprendizagem gradual que a «obediência» lhe proporciona para poder entrar na «solidão, no silêncio e no desejo contínuo de Deus»

 O deserto vivido sob o amparo da obediência impede o ser humano de extraviar-se pelo labirinto do orgulho, da vaidade e dos caprichos da fantasia e sensibilidade. Só a obediência lhe pode conferir a certeza moral de caminhar seguro, sob a Vontade de Deus, a única que o purifica e o salva.

  • E de inspiração individual anacorética : O trabalho  é feito numa oficina individual, na cela ou numa ermida, as celas individuais onde ninguém pode lá entrar (só a Madre),  o tempo de deserto de 10 dias, em que a irmã pode  optar por ver a Comunidade só quando participa na Eucaristia, os espaços das ermidas e ermos que tem os dentro dos limites do nosso Mosteiro que é o deserto material.
  •  A sua organização exterior é cenobítica  e implica  três elementos  de vida cenobítica:   O ORATÓRIO COMUM: Todos se reúnem para a Eucaristia, CENTRO fundamental da vida dos eremitas e para rezarem a Liturgia das Horas   REFEITÓRIO COMUM: É uma das novidades introduzidas na Regra dada aos primeiros eremitas do Carmelo.   «Tudo é de todos, nada há meu nem teu. Cada um come daquilo que é de todos e todos comem o que é igualmente de cada um. Todos se alimentam reciprocamente, todos ficam devedores e todos benfeitores» .  A comida é o primeiro acto comum que a Regra do Carmelo "canoniza" contrastando com a vida solitária que cada um deve ter. Normalmente as refeições processam-se em silêncio, escutando a Sagrada Escritura E  O RECREIO TERESIANO

 

O RECREIO TERESIANO : A vida predominantemente solitária do Carmelo, presta-se a guardar, com relativa facilidade, o silencio inerente ao estilo de vida que temos, e isso exige muito de nós. Todavia Santa Teresa  de Jesus, nossa fundadora, a quem chamamos com extrema afeição «a nossa Santa Madre», com a sua fina psicologia e intuições geniais, introduziu um elemento novo neste deserto restaurado por ela, e que julgou muito necessário: o Recreio Teresiano. Este é um momento único no Carmelo, pois é o momento em que as irmãs se encontram espontaneamente umas com as outras.